Terça-Feira, 7 de Setembro de 2010   
PESQUISADORES CIENTÍCOS PROTESTAM NA CÂMARA

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De acordo com o pesquisador do Instituto
Agronômico (IAC), Maurílio Terra, o salário inicial de um pesquisador com doutorado é R$ 2.700,00. No auge da carreira o salário atinge R$ 6.400,00. “Em alguns órgãos o salário chega a ser o dobro do nosso”, reclama.

Terra disse que na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por exemplo, o salário inicial é R$ 7 mil e pode chegar a R$ 11 mil. Já no Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), o salário varia entre R$ 5 mil e R$ 10.500,00. Nas universidades estaduais, lembrou, o
salário varia de R$ 3,5 mil e R$ 9.500.

Maurílio Terra conta que entre 2003 e 2004 houve um concurso, mas em menos de cinco anos depois, 50% dos aprovados deixaram o emprego,insatisfeitos com o salário. “Esse pessoal foi embora para órgãos públicos como a Embrapa e universidades estaduais que pagam o dobro”, explicou.

O pesquisador comparou ainda São Paulo com Santa Catarina, referência salarial na área. Aqui, as pesquisas mais avançadas segundo Maurílio são na agricultura com cana-de-açuçar (álcool), citrus (indústrias de suco) e café. Já no IAC, existe um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para revitalização do cultivo de uva para vinho no Estado de São Paulo. “Sabemos que não vamos competir com o Sul, mas estamos incentivando os pequenos produtores a fazer vinho caseiro”, completou. Sobre a criação do dia do Pesquisador Científico, Maurílio é favorável “É super importante a criação deste
dia, porque Campinas é um pólo de alto nível técnico científico com as universidades, além de sediarmos vários institutos de pesquisa como o IAC e o ITAL”, afirmou.

Os pesquisadores acusaram o Governo Serra de estar sucateando a categoria. O vice-presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Laerte Machado, explicou que o Governo envia recursos para os Institutos através das secretarias, mas não é o suficiente, pois bancam parte do custeio de pesquisas. “Precisamos nos mobilizar para conquistar melhorias”, defendeu. Ele explicou ainda que o Governo estuda a possibilidade de transformar os institutos de pesquisa
em autarquias. “Nós não temos medo de mudança, o que tememos é perder os
recursos de orçamento do Estado”, desabafou. “Se isso acontecer, teremos
que vender projetos de pesquisa para gerar nossos recursos” defendeu. O Governo tem que investir em pesquisa porque nosso trabalho é longo e sequenciado, não podemos perder a manutenção desses repasses”,
completou.

O projeto que cria o Dia do Pesquisador Científico é de autoria do vereador Paulo Oya (PDT). O será comemorado anualmente em 15 de fevereiro. A data para a comemoração é também, segundo Oya, uma homenagem a Galileu Galilei (1564). “Estamos pleiteando essa comemoração, já que as pesquisas são de extrema importância para os avanços tecnológicos e científicos da cidade. Além disso somos referência no país”, defendeu. O projeto segue para tramitação na Casa.

 
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